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Crônica: Tenha um bom dia

O tratar interpessoal do dia-a-dia é algo realmente curioso. Espaços públicos como elevadores, estabelecimentos comerciais, recepções, e segue a lista, são abrigo todos os dias de muitas conversas amenas, observações e comentários indispensáveis sobre o “quadro climático” do referente dia, entre outras pautas, vale tudo pra quebrar o gelo, o desconforto de estar diante do outro, encontrar seu olhar, e ler os códigos desse indivíduo quase instantaneamente, ou pelo menos julgar tê-lo feito. E como não lembrar do famigerado “tudo bem? ”, esses hábitos constituem um código bastante natural para todas (os) nós e em si não há nada de errado com isso.
O que é porém, no mínimo interessante, é o efeito que isso tem naqueles que fogem da curva, que sentem ansiedade em ter que responder à esses diálogos ou até iniciá-los, o que é também no mínimo interessante é a própria indagação do quanto essas interações o são de fato, além de mera conformidade. Levanto essa questão na condição de quem faz parte disso, pessoalmente, eu tenho muita necessidade de criar essas pequenas comunicações do cotidiano, sinto um constrangimento quase inexplicável que me leva a agir dessa maneira e acredito que isso atinja a maioria das pessoas, levanto também a dita reflexão porque não tenho resposta para isso. Mas desejo sinceramente que tenha um bom dia, e vista roupas leves porque começou o mês de novembro, o verão adentra nossas vidas, e está bastante calor, não é mesmo?


Carolina Oliveira

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